sábado, 28 de maio de 2016

Capítulo 3: O Santuário

Dez anos antes em um tipo de chácara em Sobradinho, 20min de Brasília, Distrito Federal chega uma mulher junto com uma pequena caravana de assessores, A mulher se chama Sheila, é loira, magra a alta.Seu Salvador, um senhor de uns 40 anos aproximadamente vai recebê-la sem cerimônias, ela com olhar arrogante e e muito bem vestida, resmunga:
_ Este lugar parece uma pocilga. Fede igual.
_Cuidado com os buracos no chão, madame. Alerta um dos assessores.
_Se eu fosse você deixaria de reclamar, nunca foi obrigada a vir aqui, me procurar. Repreende seu Salvador.
_Fui sim, pela pobreza extrema. Responde arrogantemente a mulher.
_Sempre fui mais pobre do que você, desde que nos conhecemos. Você precisa aprender a ser mais humilde e demonstrar um pouci de gratidão, também.
Todos vão andando para dentro de casa e descem em um porão escuro iluminado com velas e candeeiros. Seguem em silêncio para o centro do local. A mulher quebra o silêncio.
_ Quero saber o que está acontecendo. Eu te paguei para que seu feitiço me tornasse rica e famosa, mas a minha imagem está indo para o lixo.
_ Trouxe o que eu pedi? Perguntou seu Salvador.
_ Sim.
_ Peça que tragam para mim. Tudo.
A mulher se vira para um dos assessores e dá uma ordem.
_ Pegue a carga, incluindo as galinhas._ Virando-se para outro assessor _ Você vai à caminhonete e traga o bode.
Os empregados trazem o que foi pedido. Tão logo chegam com as coisas, seu Salvador, mansamente, dá uma ordem:
_ Coloquem a carga aqui, os animais amarrem no altar. Prenda o bode pelos chifres de um lado do altar e uma das galinhas do outro lado.
_Qual das galinhas devo prender? As duas. Pergunta um dos assessores que está com as galinhas.
_Não, meu rapaz. Me de uma galinha. Responde seu Salvador.
Seu Salvador pega uma galinha e olha profundamente para ela. Devolvendo esta galinha e pegando a outra.
_Tome, amarre esta ao altar, deixe a outra comigo.
Quando tudo está preparado, seu Salvador reverencia os animais se curvando diante deles dizendo as  seguintes palavras:
_ Muito obrigado pelo seu sacrifício, seu sangue servirá aos propósitos de Deus que é o mais forte. Levem a nossa oferta às entidades e digam que estamos esperando para falar com eles.
Ao dizer isto, os animais parecem entrar em transe.
A mulher interrompe impaciente:
_ Aproveita e fala que venham logo, sabe que não tenho tempo.
Seu Salvador responde:
_ Eu não mando nas entidades, minha filha. Eu sirvo às entidades. Seja menos arrogante, pois as entidades são as coisas mais fortes que eu conheço, e se você não as respeita, seja pelo menos grata.
Com um cutelo, seu Salvador degola a galinha que ficou no altar e o bode, recolhe o sangue em cuias de cabaça, o de uma galinha em uma cuia e do bode em outra. A galinha que não foi sacrificada foi posta em um poleiro. Seu Salvador faz uma fogueira, faz um charuto com as ervas que a mulher trouxe, acende o charuto na fogueira, dá umas baforadas no sangue dos animais, depois o joga na fogueira bem como o resto do charuto que sobrou, apresenta o sangue à galinha empoleirada e o mistura com cachaça de alambique, depois joga o sangue na fogueira. A fumaça ficou mais espessa e escura, de repente a galinha que estava no poleiro começou a falar:
_ O que querem comigo?
Seu Salvador responde:
_ Quem é você? Para que possamos reverenciá-lo.
_ Quem esperavam? Eu sou Pazuzu, o príncipe desta terra.
_ Príncipe, precisamos de um esclarecimento...
Enquanto fala reverentemente, seu Salvador é interrompido pela mulher.
_Vocês deveriam cuidar melhor da minha imagem.
_Pague lobistas decentes, te fiz ficar rica para isso. A galinha fala com ton de deboche.
_Fizemos um pacto para eu ficar rica e famosa rapidamente e vivesse desta maneira, mas agora a minha imagem esta desmoronando. Em troca da minha riqueza e fama eu só poderia dizer a verdade, não poderia mentir para ninguém. Tenho cumprido minha parte no acordo desde então. Porém estou tendo muita dor de cabeça com todos me perguntando sobre meu passado, não posso mentir, mas se eu disser a verdade, minha reputação já era. Diz irritada.
_ Por acaso você não está rica e famosa? Que culpa temos se você era uma estelionatária. Pague advogados ou os chantagistas, você tem dinheiro para isso, vai continuar rica e famosa, o tipo de fama não foi especificado.
_ Quero especificar agora. Retruca a mulher.
_Te fiz um favor, não uma obrigação. Acha que gosto de galinha para medingar as penas destes animais, ou o sangue deles? Isto é um feitiço, não uma negociação, fizemos o que pediu e pronto.
A galinha pulou do poleiro direto para a fogueira e morreu, a mulher ficou indignada e reclamou com seu Salvador.
_ Você, resolve isto. Agora!
_ O que foi que eu te disse? Mais cedo ou mais tarde seu passado vai te procurar. Você não pode fugir da sua história.
Com ar de desesperada ela diz:
_ E o que eu faço agora?
_ Quando você veio aqui pela primeira vez, o dinheiro é que te importava, a sua imagem não, chegou dizendo que faria tudo para ficar rica não importava o preço, desde que pudesse pagar estava bom. Pois bem, este é o preço de não ter se desligado da sua vida antiga. Devia ter procurado quem enganou e demonstrado um pouco de humildade, lição que você não aprendeu.
Complacência surge das sombras, mas não é visto pelas pessoas e diz junto com seu Salvador:
_ E nem vai aprender.
Complacência aponta para seu Salvador que despede a mulher.
_Este carinha é tão legal.
Moloque surge ao fundo. Complacência diz:
_E aí, amigão. Pensou no que eu te pedi?
_De trabalharmos com Pazuzu? Pensei e a resposta é não. Responde Moloque.
_ Ah!!! Por que? Até que ele sabe prender as pessoas. Muitas pessoas importantes estão sob o domínio dele, sabia?
_ Ele é um idiota.
_ Um idiota útil se quer saber. Ele é mandingueiro e este povo tão idiota quanto Pazuzu. Promete que vai pensar no assunto?
_Não gosto do Pazuzu. É um inútil!
_Ser idiota é diferente de ser inútil. Pense nisso. Eu também não gosto dele, por isso não quero dizer por aí que sou ele. Encare isto com mais profissionalismo, deixe de lado seus desafetos com ele. Estes idiotas acreditam tanto em mandingas. A gente finge que é mais forte do que parece e eles sempre acreditam. Pensa melhor e me dá a resposta depois.
_ Pisamos no terreno dele e ele nem notou, cade este incompetente para defender seu território? Não posso contar com quem não é confiável.
Enquanto isso, em outro ponto da cidade, dois anjos se posicionam seguindo um veículo. Era a caravana da mulher rica. Seus nomes eram Adonael, um arcanjo e Amitiel. Eles voavam fazendo sinais com as mãos chamando outros anjos que estavam pelo caminho. Um carro vinha atrás, dentro dele se via a mulher rica, dois seguranças e o motorista. Em uma curva a frente estava um demônio que viu o carro com a mulher rica, o demônio rugiu como leão e foi seguido de inúmeros outros demônios que se arrojaram contra os anjos dando início a uma dura batalha. Até que um demônio percebeu uma brecha e deu contra o carro , fazendo-o capotar provocando um acidente fatal, porém todos os carros seguiram ignorando o acidente. O demônio com rugido de leão gritou para os outros que ainda lutavam contra os anjos.
_Bater em retirada. Missão cumprida. Referindo-de ao acidente.
Amitiel, que seguia a frente disse a outro anjo que se juntou a ele.
_ Avise ao comando que a operação correu bem, o livramento foi dado.
No meio dos carro estava a Mulher rica dirigindo sozinha dentro de um importado, porém era acompanhada de sua comitiva.
_ Entendido. Vou pedir reforços para a casa dela também. Fez um bom trabalho no santuário.
_ Hoje começa uma batalha tremenda por esta cidade, os reforços são bem vindos. A partir de agora Shinishi cuidará dela. A filha dela foi escolhida por Deus.
_ Ela não tem filhos.
_ Mas está grávida. E é uma menina, portanto precisaremos de um acampamento forte por perto. Montem o acampamento, amanhã Shinishi chega com o reforço.
Amitiel e Adonael montaram acampamento à porta da casa da mulher e do carro da família. Ao entrar em casa Sheila encontra Jonata, seu marido.
_Aonde esteve? Pergunta Jhonatan.
_Fui resolver alguns assuntos chatos. Abraça o marido flertando com ele.
_Você está bem?
_Só um pouco enjoada e com sono. Muito sono. Vou tomar um banho para relaxar e dormir.
_Certinho, gatinha. Vou ficar no computador. Tenho que organizar consultoria a duas empresas.
Eles dão um selinho e saem cada um em uma direção. Dado algum tempo, Jonata vai ao banheiro do quarto, onde sheila está vomitando.
_Sheila, você tem certeza que está bem?
_Ai, eu não estou bem. Aquele velho desgraçado deve ter feito uma mandinga contra mim.
_Para de besteira, amanhã mesmo vamos ao médico.
_Como assim? Eu insultei as entidades e elas se voltarão contra mim.
_É melhor essas tais entidades, pois se vierem contra você terão que me enfrentar primeiro e eles vão encontrar um sujeito muito bravo! Diz Jhonatan sorrindo com o canto da boca.
Enquanto isso Adoniel observa da janela e percebe ao longe um demônio. Seu aspecto era de um centauro com os cascos fendidos com duas fendas, na ponta de cada casco formam-se pontas como garras. Seu corpo todo era revestido de uma armadura como se fosse casca de inseto. Ele tem dois pares de asas pergaminosas como de gafanhotos, seu rosto tem formato insetoide, é medonho, com calda como de escorpião perto da boca que é uma fenda vertical com garras ao lado, o monstro saliva todo o tempo uma massa pegajosa. Ele tem braços grandes e desproporcionais para tomar os bens de quem ele ataca.
Nos dias atuais, Shinishi está em uma igreja pequena, era culto de oração. Shemuel surge e se coloca ao lado de Shinishi e diz:
_Só por curiosidade... O que está fazendo aqui?
Shinishi responde com poucas palavras:
_O meu trabalho.
_Imaginei. Quem é seu protegido agora? Não era para ser o Simão ou a Eleonora?
_Há outros que fazem a mesma coisa que eu. Agora estou protegendo ele.
Apontou para um adolescente que estava orando pela nação. O rapaz era de boa estatura e vestia-se de preto com um estilo rock´n roll. O rapaz orava com tanto fervor que causou adimiração em Shemuel.
_E qual é o nome dele?
_Daniel. Deus que mandou os pais dele colocar e me designou para acompanhá-lo.
_Aquele é o Jhonatan e a Sheila?
_Sim.
Shemuell olha adimirado:
_O tempo parece que não passa para eles. Mas para a Eleonora, olha como ela está crescida.
Shinishi faz sinal de quem concorda e Shemuell continua:
_Trouxe ordens do comando. Eles disseram para ficar de prontidão, o clima espiritual está ficando tenso. E quem é este outro que está ao seu lado?
_Este é o Gustavo, melhor amigo de Daniel e filho do pastor desta igreja.
_Há algum tempo não vejo uma igreja tão cheia em um culto de oração. Estou indo Vou voltar ao comando. Paz.
_Paz.
Shemuel voou se afastando da igreja onde viu colunas de fumaça que iam para o céu e sorriu.
De longe Complascencia e um demônio do seu exército estão observando o culto de oreção. Complascencia está com o semblante duro e sério, incomum para ele. O demônio quebra o silêncio.
_O que está pensando, senhor?
  Complacência responde com olhar compenetrado.
_Em um jeito de derrubar aquele moleque.
_O Daniel?
_Não, o pivete do Gustavo. Ele tem um muro ao redor dele e não deve ser a toa. Anjos que o protegem, família bem estruturada, o pai do cara é um pastor em escenção...
O semblante dele começa a mudar.
_Eu sou um gênio, um artista, um verdadeiro artista. Se eu fosse um pouco carinhoso te daria um beijo.
O demônio olhou para complascencia dizendo:
_Pelo visto o senhor pensou em algo. O que foi?
_É arriscado, eu adimito, mas é genial. Por que mirar no garoto? Vou derrubar o pai dele.
Intrigado e ligeiramente empolgado, o demônio indaga Complacência:
_E como pretende fazer isto?
_Este cara é um pastor em acenção, vamos ajudar a encher esta igreja, cultos lotados e muito trabalho na obra. Eu me amo!
_Tá maluco? Queremos atrapalhar ele e não virar a secretária dele.
_Maluco? Quantas vezes tenho que dizer que sanidade não combina conosco? Onde já se viu um demônio querendo fazer tudo certinho? Vocês não entendem a genialidade do plano, pois são muito convencionais, precisam abrir a mente. Se o cara é um pastor cuja carreira está decolando, então vai abandonar tudo pelo que considera corre e acha ser a sua missão, a obra e não o filho. Onde estiver a carniça ali os abutres se ajuntam. Igreja cheia de pessoas vazias e orgulhosas significa um grande grupo fácil de manipular e um político esperto pode oferecer um negócio da China, mas por um preço é claro. Vamos corromper ele, acabar com a sua moral, ele vai sacrificar a sí mesmo por que vamos fazê-lo pensar que está comprindo uma missão, mas que não é a dele. Este homem vai perder dignidade, santidade e a admiração do seu filho. Aí, quando o garoto estiver se sentindo só vamos acabar com ele.
O demônio pasmo disse de forma sarcástica:
_Brilhante, chefe.
_Eu chamo isto de o meu jeito errado de fazer a coisa certa.

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